A mostra reúne mais de 90 obras e celebra a trajetória do pintor egípcio que marcou a arte paranaense com cor, lirismo e liberdade criativa.
Em 2025, o centenário de nascimento do pintor egípcio Alberto Massuda (1925–2000) ganha uma grande homenagem no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba. A exposição “A Cor e o Lirismo de Alberto Massuda: 100 anos”, com curadoria de Fernando Bini, estará em cartaz de 14 de novembro de 2025 a 26 de abril de 2026, reunindo mais de 90 obras que percorrem todas as fases do artista.
Sobre Massuda
Nascido Ibrahim Lieto Massouda, no Cairo, o artista formou-se pela Escola de Belas Artes e pela Faculdade de Pedagogia Artística da Universidade do Cairo. Fez parte do Groupe de l’Art Contemporain, atuando na efervescente cena artística egípcia do pós-guerra.
Posteriormente, estudou Cenografia de Cinema em Roma, onde teve contato com o renomado cineasta Federico Fellini. Foi na Itália que conheceu e se casou com Carmina Massari, antes de mudar-se para o Brasil, em 1958. Radicado em Curitiba, tornou-se figura central da impulsão do surrealismo com influências expressionistas no Paraná, construindo uma trajetória marcada pela experimentação e pela poesia visual.
“Poeta da cor e do sonho”
Para a crítica, Massuda é um “poeta da cor e do sonho”, cuja obra dialoga com o onirismo de Marc Chagall e a intensidade cromática de Henri Matisse. Suas pinturas, povoadas por ninfas, cariátides e cenas da vida simples, revelam tanto suas origens quanto as inquietações de sua jornada artística.
Além de pintor e poeta, Massuda foi professor de desenho e pintura na Casa Alfredo Andersen, no Centro Cultural Brasil–Estados Unidos e no Centro de Criatividade de Curitiba, inspirando gerações com sua liberdade formal e cromática.
Falecido em outubro de 2000, em Curitiba, Alberto Massuda deixou uma obra que segue viva, pulsando em cores, sonhos e poesia.
VOAR
Sou aquele pássaro que fala bonito
Sem ser o homem que muda o mundo
Com vontade louca de voar
Com liberdade
Com tamanha vontade
De voar
De voar
Voar mas não além do horizonte
Voar e ser o primeiro voador
Sem promessas
De atingir o céu…
(Alberto Massuda)

